quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A farra secreta e pedagógica da Copa 2014


As suspeitas de irregularidades em contratos para a Copa 2014 se processam com velocidade maior que a prevista. Sem exagero, é a continuidade da farra dos Jogos Pan-Americanos 2007, pois daquela confusão ainda não se tem o balanço oficial final. E, quem sabe, nem se terá...
Escândalo
        O escândalo mais recente é resultado de uma persistente investida do repórter Roberto Pereira, do UOL Esporte, que decidiu decifrar a parceria do Ministério do Esporte com o Consórcio Copa 2014, criado exclusivamente para prestar assessoria ao governo, já que a turma do ministro Orlando Silva não está capacitada para tanto.
        Há dois anos eu já havia suspeitado dessa parceria, que chamei de “nebulosa”.
        Em primeiro lugar, porque, dois anos depois de assinado o contrato, até hoje o tal Consórcio não disponibilizou página na internet, que continua “em construção”.  
        E, principalmente, porque, do contrato original de R$ 13 milhões, o Ministério do Esporte aumentou o valor em 80%, passando para R$ 24 milhões. Motivo: “Houve ampliação qualitativa de seu objeto”. Ou seja, o Consórcio assumiu novos compromissos, informou a assessoria do ministro Orlando Silva.
        E que compromissos são esses?
        Não se sabe, porque há um “contrato de confidencialidade”, como revela Roberto, com base nas entrevistas que realizou.
        Portanto, as informações prestadas pelo Ministério do Esporte sobre o assunto são burocráticas, vazias e que em nada contribuem para  esclarecer o gasto federal de R$ 24 milhões de forma sigilosa...
Irregularidades
        O TCU já identificou várias irregularidades. Os auditores, inclusive, propuseram multa a quatro funcionários do Ministério.
Mas...
        O ministro-relator do TCU, Valmir Campelo, não acatou a proposta legal, alegando que a função do TCU “é pedagógica” ... Ou seja, orientar o servidor faltoso para que da próxima vez cumpra a lei na condução do bem público. Como se essa não fosse a sua obrigação permanente.
        Esquece Valmir Campelo que é o mesmo Ministério, o mesmo ministro, Orlando Silva, do PCdoB, a mesma turma que fez a festa do Pan, há quatro anos, agindo de forma irresponsável, suspeita, inclusive, pois houve pagamentos por serviços não prestados, superfaturamentos! Uma farra tão grande que até hoje 10 processos aguardam julgamento do Tribunal.
E, agora, “pedagogicamente” e em sigilo repete-se a festa. E ainda nem falamos em Olimpíada...

Fonte: Blog José Cruz

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