domingo, 9 de março de 2014

Por Copa-2014, governo paga R$ 5,7 mi a consultoria até maio de 2015

Com quase todos os itens da Copa-2014 atrasados, o Ministério do Esporte contratou uma consultoria para planejar, monitorar e supervisionar o evento. Pagará R$ 5,7 milhões para a Price Waterhouse Coopers. Curioso é que o contrato começou em novembro de 2013 e acabará em maio de 2015, ou seja, os serviços serão prestados na maior parte do tempo com o Mundial encerrado.
Essa é a terceira consultoria contratada pelo ministério para apoio na organização da competição. Uma delas, o Consórcio 2014, gerou acusações de irregularidades por parte do TCU (Tribunal de Contas da União) e foi encerrada no meio de 2013. A FGV (Fundação Getúlio Vargas) chegou a monitorar o andamento de obras dos estádios.
Ficou claro que nenhuma dessas contratações foi suficiente para cumprir cronogramas de projetos e obras do Mundial. Há atrasos severos em estádios (ainda não concluídos), mobilidade urbana (a maior parte das obras sequer vai ficar pronta), aeroportos (haverá reformas improvisadas), entre outros itens.
No final do ano passado, o Ministério do Esporte fez a licitação para a contratação da nova consultoria. Previa gastar em torno de R$ 9,5 milhões. Com a concorrência, o preço caiu para R$ 5,750 milhões.
No edital de licitação, os salários de consultores nacionais e coordenadores de área da empresa eram de R$ 178,47 por hora. Isso significa que, cumprida a carga horária padrão do empregado brasileiro (160 horas), eles ganhariam R$ 28.555 por mês. Ou seja, atingiriam um salário maior do que o da presidente da República, Dilma Roussef, que ganha R$ 26.723,13.
Questionado sobre esse valor, o Ministério do Esporte informou que era apenas uma referência, mas que não tem como saber quanto cada consultor receberá de fato. Só quem detém essas informações é a empresa que aceitou fazer o serviço proposto por preço menor do que o de referência.
A pasta descreve os seguintes serviços a serem prestados pela Price: “a) suporte à supervisão estratégica do empreendimento; b) suporte ao planejamento integrado – gestão da informação; c) monitoramento integrado; d) suporte à avaliação estratégica do empreendimento.''
No total, o contrato será cumprido durante dez meses em que a Copa já terá sido encerrada. Ou seja, com todos os projetos da Copa já atrasados e sem possibilidade de recuperar os problemas, a principal função da consultoria será monitorar as crises e principalmente avaliar como elas ocorreram. No Pan-2007, também foram contratadas diversas consultorias. A organização do Mundial demonstra o que foi aprendido.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Atrasada 14 meses, obra em aeroporto de Curitiba desperdiça R$ 313 mil e não ficará pronta para a Copa



Ninguém sabe quando ficará pronta nem quanto vai custar a obra de ampliação do terminal do Aeroporto Internacional Afonso Pena, na zona metropolitana de Curitiba (PR). O que já é certo, porém, é que apenas 30% dos trabalhos estarão concluídos até o início da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Quando os turistas chegarem à capital paranaense, que sediará quatro partidas do Mundial de futebol, encontrará um aeroporto em obras. 
Inicialmente orçada em R$ 41,3 milhões e programada para ter início em janeiro deste ano, a intervenção sofreu sucessivos atrasos, alterações no projeto e até cancelamento de contrato após realização de concorrência e pagamento de R$ 313 mil por parte da Infraero (estatal brasileira responsável pela obra), dinheiro que não voltará aos cofres da empresa pública.
No dia 1º deste mês, a Infraero lançou um novo edital para contratar o grupo privado que será responsável pelas obras. O modelo de concorrência é o RDC (Regime Diferenciado de Contratações), criado em junho do ano passado para flexibilizar e simplificar as regras que normatizam as licitações públicas, a fim de acelerar as obras que precisariam ficar prontas até a Copa.
Por este modelo, a empresa ou consórcio vencedor apresenta um projeto e também executa a obra. O poder público não informa quanto espera investir na empreitada, e os concorrentes apresentam propostas em envelope fechado em uma data determinada, marcada para 17 de dezembro. A expectativa é que o projeto da obra seja entregue até junho de 2013 (embora a data anunciada para começo das obras seja março de 2013), e que até dezembro do mesmo ano a primeira fase (correspondente a 30% do total) esteja concluída.
Apesar de admitir que apenas 30% dos trabalhos estarão concluídos até o início da Copa, em junho de 2014, a estatal afirma que a capacidade do terminal, já nesse período, terá alcançado os 14,6 milhões de passageiros/ano, objetivo traçado na Matriz de Responsabilidades da Copa, compromisso assumido em janeiro de 2010 por União, Estados e cidades que irão sediar a Copa.
Assim, é difícil compreender porque foi rescindido o contrato de R$ 2,2 milhões firmado no início do ano passado entre a empresa Beck e Souza Engenharia Ltda. e a Infraero, para que a primeira apresentasse o projeto básico da obra. Segundo a estatal, a rescisão foi necessária porque novos estudos levaram a empresa a redimensionar a ampliação do aeroporto, que agora tem previsão de estar pronta em 2016.
O redimensionamento aumentou o número de elevadores e o tamanho dos salões de embarque e de desembarque, mas não a capacidade de passageiros por ano, que seguirá sendo de 14,6 milhões. E, segundo a Infraero, será atingido em dezembro de 2013, quando ainda estará por ser executada 70% da obra.
Assim, o projeto da Beck, diz a Infraero, teve que ser rescindido, e agora uma nova empresa vai fazer um novo estudo. A Infraero já havia pago R$ 313 mil à empresa de engenharia, "por estudos preliminares", e este dinheiro não será devolvido. A Infraero afirma, porém, que não houve desperdício de dinheiro, já que tais estudos teriam sido utilizados na montagem do edital do processo licitatório atual.  
Sucessão de atrasos

De acordo com a estatal, o atraso na obra, que alcançará 14 meses em março do ano que vem, atual data prevista para início dos trabalhos, deve-se unicamente ao redimensionamento da obra, o que obrigou a estatal a rescindir o contrato com a empresa que fazia o projeto executivo da obra.
Tal projeto, entretanto, de acordo com o planejamento primeiramente anunciado pelas autoridades brasileiras, já deveria ter sido entregue em novembro do ano passado. Ou seja, ainda que não houvesse redimensionamento do projeto de ampliação, a entrega do projeto da obra já estava atrasada. 
Até o fim de 2010, a Infraero e o governo federal anunciavam que a obra começaria em janeiro de 2012. A partir de janeiro de 2011, os prazos mudaram. A obra teria início em junho de 2012, e seria concluída em junho de 2013. Já em abril deste ano, a previsão pra o começo da obra passou a ser outubro de 2012. No fim do mês passado, porém, nova alteração, e agora espera-se que os trabalhos comecem em março do ano que vem. Quanto vai custar, só esperando para descobrir. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Segurança custará pelo menos R$ 2 bi


Só neste ano, verba federal para proteção na Copa é de R$ 712 mi


Fonte: Folha 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/18522-seguranca-custara-pelo-menos-r-2-bi.shtml

SÉRGIO RANGEL

DO RIO


O governo federal vai gastar pelo menos R$ 2 bilhões para montar o esquema de segurança da Copa do Mundo.

Criada no ano passado pelo Ministério da Justiça para cuidar do Mundial, a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos estipulou em R$ 712 milhões seu orçamento para 2012.

Se for mantido o mesmo valor nos próximos dois anos, a conta vai chegar a R$ 2,1 bilhões. Mas a tendência é que a fatura federal seja ainda maior em 2013 e 2014.

O valor é quase quatro vezes superior ao que o governo federal investiu no esquema de segurança do Pan do Rio, em 2007. Na época, a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) despendeu R$ 572 milhões.

Embora a maior parte dos investimentos na segurança da Copa seja federal, os governos estaduais das 12 cidades-sedes envolvidas no Mundial também vão desembolsar quantias possivelmente elevadas, mas que ainda não foram definidas.

Além da preparação para o Mundial, parte dos R$ 712 milhões será usada na montagem do esquema da Copa das Confederações, marcada para acontecer entre os dias 15 e 30 de junho do próximo ano. Inicialmente, o torneio será realizado em quatro cidades, mas o número de sedes pode chegar a seis.

A competição está confirmada no Rio de Janeiro, em Brasília, em Belo Horizonte e em Fortaleza. Por isso, a secretaria vai priorizar os investimentos nas quatro cidades.
Salvador e Recife ainda tentam convencer a Fifa de que têm condições de realizar o evento-teste.

Em março, a secretaria federal vai começar a licitar as primeiras compras para a área de segurança da Copa.

Pelo planejamento montado pelo secretário José Ricardo Botelho em conjunto com autoridades de todo o país nas três esferas de governo, as licitações serão tocadas pelas instituições responsáveis.
"Isso dá agilidade", afirmou o secretário.

No Pan de 2007, Brasília efetuou a compra de centenas de carros para a polícia fluminense, dezenas de veículos blindados, helicópteros e ambulâncias para o Rio. Armas e equipamentos de inteligência também entraram no pacote. No final do evento continental, o Rio ficou com 75 % das compras.

No Mundial de futebol, o governo federal deverá fazer o mesmo com os 12 Estados que vão abrigar o evento.

Uma das maiores compras do governo para o Mundial de 2014 será a de um sistema de comunicação para integrar todas as forças envolvidas no esquema de segurança da Copa (polícias das 12 cidades-sedes, Abin, Polícia Federal, bombeiros). O valor ainda não foi definido.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mais da metade das obras da Copa não tem nem licitação, diz TCU

Fonte: Folha.com: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1015215-mais-da-metade-das-obras-da-copa-nao-tem-nem-licitacao-diz-tcu.shtml

Faltando 30 meses para o início da Copa de 2014 no Brasil, 54% das obras de transporte (urbano e aeroportos) previstas para o evento não tem nem licitação. A informação consta de um balanço do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre as ações do governo para a Copa, aprovado ontem.

A situação das obras de transporte urbano foi classificada de "preocupante". Até agora, de 49 construções de BRT (corredores de ônibus), VLT e rodovias, 24 não foram licitadas e só quatro receberam algum recurso dos empréstimos previstos. Estas obras são de responsabilidade dos estados e municípios que vão sediar o evento e financiadas pelo governo federal.

Já no caso dos aeroportos, o TCU informa que são previstas 32 intervenções em 13 aeroportos. Dessas obras, 20 não foram licitadas, sete estão em execução e uma está pronta. Nos aeroportos, a situação foi considerada de alerta mas é menos preocupante que as de transporte urbano. Isso porque vários projetos já estão com licitação marcada e o TCU verificou melhora na gestão da Infraero.

Além dos problemas de transporte, o relatório aponta preocupações com as obras de portos. Nenhuma foi iniciada porque os oito projetos ainda estão em licitação. Há também temor com os projetos de urbanização das áreas ao redor dos estádios. Em oito cidades, essas intervenções serão feitas pelo poder público local. Nenhuma está licitada. Em muitos casos não se sabe o custo e não há sequer projetos prontos.

O TCU emitiu alerta sobre os problemas identificados para vários órgãos do governo e determinou que o ministério do Esporte inclua os valores dos projetos de urbanização na Matriz de Responsabilidade da Copa (documento que mostra os custos do evento). Mesmo sem a inclusão desses custos, o valor total da matriz já pulou de R$ 22 bilhões para R$ 27 bilhões em 20 meses.

O governo também foi alertado de que está atrasado com a chamada 2ª etapa da Matriz. Segundo o Planejamento, até junho deste ano os ministérios deveriam incluir custos de projetos de telecomunicações, segurança, saúde na Matriz, o que não aconteceu.

A situação dos estádios foi classificada como adequada pelo TCU. Segundo o órgão, as fiscalizações preventivas do TCU fizeram com que os custos previstos de seis projetos da Copa fossem reduzidos em R$ 451 milhões sem a necessidade de paralisar as obras.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Governo do DF anuncia licitação de R$ 176 mi, e custo do Estádio Nacional iguala o do Itaquerão

O custo do Estádio Nacional de Brasília, que está sendo construído pelo governo do Distrito Federal para a Copa do Mundo de 2014, será superior a R$ 846 milhões, e não mais R$ 688 milhões ou R$ 671 milhões, que eram as duas previsões de custos oficiais com que trabalhavam, até a semana passada, o Ministério do Esporte e o governo distrital, respectivamente.
No último dia 21, a Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) deu início ao processo de licitação para as obras de cobertura do Estádio Nacional de Brasília, com valor estimado e publicado no Diário Oficial do DF de R$ 175,8 milhões. Com isso, o custo do estádio, pago integralmente pelos cofres do DF, alcançará R$ 863,8 milhões, pelo dados do governo federal, ou R$ 846,8 milhões, como quer agora a administração distrital.
Mas este não será ainda o custo total do Estádio Nacional. Segundo o governo do DF, faltam ainda, pelo menos, mais duas licitações: uma para a compra do gramado e outra para as os 71 mil assentos do estádio, subdivididos entre cadeiras para o público geral, para os camarotes, para o setor VIP e para o setor VVIP. Ainda não há previsão de valor dessas licitações.
Com a nova conta, o estádio de Brasília alcança o custo do Itaquerão, arena que está sendo erguida pelo Corinthians na zona Leste de São Paulo. Lá, a estrutura principal sairá por R$ 820 milhões, segundo a empreiteira Odebrecht, responsável pela obra.
Além disso, o Estado de São Paulo licitará 20 mil arquibancadas móveis para serem utilizadas no estádio durante a Copa, a um custo estimado pela construtora em R$ 70 milhões. Mais caro que as arenas de São Paulo e do DF só mesmo a reforma do Maracanã, estimada em R$ 931 milhões.
UOL Esporte procurou o governo do Distrito Federal para entender o motivo da mudança de previsão de custos e ouviu que a estimativa de R$ 671 milhões para o custo do estádio jamais incluiu a cobertura da arena, uma obra totalmente diferente, que deve ser contratada junto a empresas especializadas no assunto, e não ser incluída no trabalho das empreiteiras que constrõem o estádio (Andrade Gutierrez e Via Engenharia).
Não é o que consta na Matriz de Responsabilidade da Copa do Mundo de 2014, documento assinado em 13 de janeiro de 2010 pelo então ministro do Esporte, Orlando Silva, e por 11 prefeitos e 12 governadores (Brasília, uma das cidades-sede, não tem prefeito).
A peça define as obras, os custos e as responsabilidades de cada ente federativo em todas as obras da Copa. Lá, o valor estimado do Estádio Nacional de Brasília é de R$ 701 milhões. Já na última atualização do documento, efetuada pelo Ministério do Esporte no último dia 9 de novembro, o valor cai para R$ 688 milhões.
O próprio governo do Distrito Federal já informou ao UOL Esporte, no dia 26 de outubro de 2011, que o custo estimado do Estádio Nacional de Brasília era de R$ 671 milhões. A informação foi transmitida por e-mail, em resposta a pergunta sobre previsão de custo da obra do estádio de Brasília.


No início da tarde do dia 25 de novembro, UOL Esporte questionou a assessoria de imprensa do governo do Distrito Federal sobre o motivo da discrepância entre o que consta na Matriz de Responsabilidade da Copa e na mensagem enviada ao UOL Esporte com o que agora dizem as autoridades distritais. Até a publicação desta reportagem, porém, não obteve resposta.

Obras da Copa de 2014 estão R$ 2 bi mais caras do que previsão inicial, diz jornal

Fonte: UOL Esporte
http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2011/11/28/obras-da-copa-de-2014-estao-r-2-bi-mais-caras-do-que-previsao-inicial-diz-jornal.htm


As obras para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, incluindo o aumento de gastos em projetos de mobilidade urbana e a elevação do orçamento dos estádios, já estão R$ 2 bilhões mais caras do que o previsto no início de 2010, segundo informações do jornal o Estado de S. Paulo desta segunda-feira


De acordo com informações do jornal, o orçamento da obras para o Mundial escapou do controle do governo e um dos exemplos é a fraude do Ministério das Cidades que permitiu a aprovação do projeto VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), em Cuiabá, mesmo esse sendo R$ 700 milhões mais caro que o projeto inicial apresentado.

Porém, a cidade de Cuiabá não é a única a apresentar aumento em seus gastos com obras de mobilidade urbana. Belo Horizonte, Recife, Manaus, Rio de Janeiro e Porto Alegre seguiram na mesma linha (veja o quadro ao lado).

A exceção é a cidade de São Paulo, que reduziu a previsão de custos com a obra do monotrilho. O orçamento caiu de R$2,8 bilhões para R$1,8 bilhão. Enquanto isso, Fortaleza não mudou o planejamento inicial e Brasília apresentou uma pequena elevação (4,48%).

Porém, a situação de São Paulo se inverte em relação aos custos com as obras na construção de estádios, já que a capital paulista optou por não reformar o Morumbi, o que custaria R$ 240 milhões, e optou pela construção do Itaquerão, que deve sair por R$ 820 milhões.



O custo do Maracanã subiu 47,25% (R$283 milhões) em relação ao que apresentado incialmente. Os responsáveis afirmam que o aumento se deve a mudança na cobertura do estádio, que receberá a decisão do Mundial.

A reforma do Beira-Rio, estádio do Internacional, em Porto Alegre (RS), dobrou, passando de R$ 130 milhões para R$ 290 milhões. Enquanto isso, o valor final do Mané Garrincha, em Brasília (DF), ainda é um mistério, já que alguns itens, como gramado, catracas e traves, serão licitados depois de concluídas as obras.

Em resposta ao jornal paulista, o Ministério das Cidades afirmou que “está em andamento a revisão da matriz de responsabilidades” dos projetos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Depois de gastar R$ 600 mil, secretaria da Copa de MT desfaz contrato de teleférico na Chapada

Fonte: UOL Esporte


http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2011/11/09/apos-gastar-r-600-mil-secretaria-da-copa-de-mt-cancela-obra-de-teleferico-na-chapada.htm


O governo de Mato Grosso cancelou o contrato da obra de um teleférico na Chapada dos Guimarães, no valor de R$ 6 milhões, que estava sendo construído dentro do planejamento do Estado para a Copa do Mundo de 2014 (e com os recursos destinados a este fim) como equipamento que fomentaria o turismo na região. O equipamento seria construído a 67 quilômetros da capital Cuiabá, sede da Copa.


O contrato assinado em 2009 com a empresa Zucchetto Máquinas e Equipamentos Industriais, que construiria o teleférico, não sobreviveu a uma auditoria interna do Poder Executivo de Mato Grosso. A empresa, porém, já havia recebido R$ 579.550 do governo matogressense, e não irá devolvê-los aos cofres públicos. À Procuradoria Geral do Estado do Mato Grosso, cabe ingressar na Justiça para reaver os recursos.
Agora, dois novos processos concorrenciais serão abertos: um para selecionar um projeto básico e outro para escolher a empresa que irá executá-lo. A previsão do governo de Mato Grosso é que a obra esteja pronta até o final de 2012, sendo que a segunda concorrência necessária está planejada para o final deste ano ou começo do ano que vem. A Secopa MT (Secretaria Extraordinária da Copa) afirma que não planeja realizar licitações de emergência. 


Sobre o valor final da obra, a Secopa MT informa ainda não poder precisar, mas diz esperar que não seja um valor superior ao que já planejara empenhar na empreitada, embora reconheça que terá que contratar a mesma obra com prazos mais apertados.
O problema que levou ao cancelamento da primeira licitação é que a Auditoria Geral do Estado encontrou, nas palavras da Secopa MT, "uma série de vícios no contrato firmado com a empresa vencedora do processo". O principal deles seria que a obra, que inicialmente era tocada pela secretaria de Turismo do Mato Grosso, fora licitada como "compra de um equipamento", e não como uma obra de construção civil.
Dessa forma, a obra teve início sem que tivesse sido licitado um projeto básico. A própria empresa contratada para construir o teleférico apresentou um projeto básico, o que contraria a lei de licitação brasileira (8666/93). Além disso, as licenças ambientais para construir não foram obtidas. Assim, a Auditoria Geral do Estado recomendou o cancelamento do contrato, e o governo acatou
O contrato com a Zucchetto Máquinas e Equipamentos Industriais foi fechado pela secretaria de Turismo do Mato Grosso quando o secretário era Yuri Bastos Jorge. Ao UOL Esporte, ele informa que não pode ser responsabilizado pelos erros na licitação, uma vez que "meu projeto era para uma série de obras de fomento ao turismo no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, mas as compras (como foi rotulada a obra) foram realizadas por outra secretaria".
Há, ainda, um outro detalhe: o teleférico cruzaria a propriedade privada do advogado Antonio Checchin Júnior, que entrou em acordo com o governo estadual para que a obra pudesse ser executada. Os documentos oficiais dão conta de que foi feita uma doação por parte do proprietário ao Estado de Mato Grosso.
O advogado em questão havia sido doador da campanha de Yuri Bastos Jorge a deputado estadual, em 2002. Foram R$ 25 mil, a maior doação de pessoa física à campanha do então secretário. A obra passou aos cuidados da Secopa MT quando Bastos era diretor da entidade. Hoje, ele é assessor especial do órgão.
Sobre o local escolhido para a obra ser o terreno pertencente ao seu maior doador de campanha, Bastos explica: "É mera coincidência. Não fui eu quem escolheu o local. Fazer doação para campanhas não é crime. Eu conheço muita gente que tem terrenos na Chapada, poderia ter sido no terreno de qualquer outra pessoa e ainda viriam levantar suspeitas".