segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Governo do DF anuncia licitação de R$ 176 mi, e custo do Estádio Nacional iguala o do Itaquerão

O custo do Estádio Nacional de Brasília, que está sendo construído pelo governo do Distrito Federal para a Copa do Mundo de 2014, será superior a R$ 846 milhões, e não mais R$ 688 milhões ou R$ 671 milhões, que eram as duas previsões de custos oficiais com que trabalhavam, até a semana passada, o Ministério do Esporte e o governo distrital, respectivamente.
No último dia 21, a Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) deu início ao processo de licitação para as obras de cobertura do Estádio Nacional de Brasília, com valor estimado e publicado no Diário Oficial do DF de R$ 175,8 milhões. Com isso, o custo do estádio, pago integralmente pelos cofres do DF, alcançará R$ 863,8 milhões, pelo dados do governo federal, ou R$ 846,8 milhões, como quer agora a administração distrital.
Mas este não será ainda o custo total do Estádio Nacional. Segundo o governo do DF, faltam ainda, pelo menos, mais duas licitações: uma para a compra do gramado e outra para as os 71 mil assentos do estádio, subdivididos entre cadeiras para o público geral, para os camarotes, para o setor VIP e para o setor VVIP. Ainda não há previsão de valor dessas licitações.
Com a nova conta, o estádio de Brasília alcança o custo do Itaquerão, arena que está sendo erguida pelo Corinthians na zona Leste de São Paulo. Lá, a estrutura principal sairá por R$ 820 milhões, segundo a empreiteira Odebrecht, responsável pela obra.
Além disso, o Estado de São Paulo licitará 20 mil arquibancadas móveis para serem utilizadas no estádio durante a Copa, a um custo estimado pela construtora em R$ 70 milhões. Mais caro que as arenas de São Paulo e do DF só mesmo a reforma do Maracanã, estimada em R$ 931 milhões.
UOL Esporte procurou o governo do Distrito Federal para entender o motivo da mudança de previsão de custos e ouviu que a estimativa de R$ 671 milhões para o custo do estádio jamais incluiu a cobertura da arena, uma obra totalmente diferente, que deve ser contratada junto a empresas especializadas no assunto, e não ser incluída no trabalho das empreiteiras que constrõem o estádio (Andrade Gutierrez e Via Engenharia).
Não é o que consta na Matriz de Responsabilidade da Copa do Mundo de 2014, documento assinado em 13 de janeiro de 2010 pelo então ministro do Esporte, Orlando Silva, e por 11 prefeitos e 12 governadores (Brasília, uma das cidades-sede, não tem prefeito).
A peça define as obras, os custos e as responsabilidades de cada ente federativo em todas as obras da Copa. Lá, o valor estimado do Estádio Nacional de Brasília é de R$ 701 milhões. Já na última atualização do documento, efetuada pelo Ministério do Esporte no último dia 9 de novembro, o valor cai para R$ 688 milhões.
O próprio governo do Distrito Federal já informou ao UOL Esporte, no dia 26 de outubro de 2011, que o custo estimado do Estádio Nacional de Brasília era de R$ 671 milhões. A informação foi transmitida por e-mail, em resposta a pergunta sobre previsão de custo da obra do estádio de Brasília.


No início da tarde do dia 25 de novembro, UOL Esporte questionou a assessoria de imprensa do governo do Distrito Federal sobre o motivo da discrepância entre o que consta na Matriz de Responsabilidade da Copa e na mensagem enviada ao UOL Esporte com o que agora dizem as autoridades distritais. Até a publicação desta reportagem, porém, não obteve resposta.

Obras da Copa de 2014 estão R$ 2 bi mais caras do que previsão inicial, diz jornal

Fonte: UOL Esporte
http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2011/11/28/obras-da-copa-de-2014-estao-r-2-bi-mais-caras-do-que-previsao-inicial-diz-jornal.htm


As obras para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, incluindo o aumento de gastos em projetos de mobilidade urbana e a elevação do orçamento dos estádios, já estão R$ 2 bilhões mais caras do que o previsto no início de 2010, segundo informações do jornal o Estado de S. Paulo desta segunda-feira


De acordo com informações do jornal, o orçamento da obras para o Mundial escapou do controle do governo e um dos exemplos é a fraude do Ministério das Cidades que permitiu a aprovação do projeto VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), em Cuiabá, mesmo esse sendo R$ 700 milhões mais caro que o projeto inicial apresentado.

Porém, a cidade de Cuiabá não é a única a apresentar aumento em seus gastos com obras de mobilidade urbana. Belo Horizonte, Recife, Manaus, Rio de Janeiro e Porto Alegre seguiram na mesma linha (veja o quadro ao lado).

A exceção é a cidade de São Paulo, que reduziu a previsão de custos com a obra do monotrilho. O orçamento caiu de R$2,8 bilhões para R$1,8 bilhão. Enquanto isso, Fortaleza não mudou o planejamento inicial e Brasília apresentou uma pequena elevação (4,48%).

Porém, a situação de São Paulo se inverte em relação aos custos com as obras na construção de estádios, já que a capital paulista optou por não reformar o Morumbi, o que custaria R$ 240 milhões, e optou pela construção do Itaquerão, que deve sair por R$ 820 milhões.



O custo do Maracanã subiu 47,25% (R$283 milhões) em relação ao que apresentado incialmente. Os responsáveis afirmam que o aumento se deve a mudança na cobertura do estádio, que receberá a decisão do Mundial.

A reforma do Beira-Rio, estádio do Internacional, em Porto Alegre (RS), dobrou, passando de R$ 130 milhões para R$ 290 milhões. Enquanto isso, o valor final do Mané Garrincha, em Brasília (DF), ainda é um mistério, já que alguns itens, como gramado, catracas e traves, serão licitados depois de concluídas as obras.

Em resposta ao jornal paulista, o Ministério das Cidades afirmou que “está em andamento a revisão da matriz de responsabilidades” dos projetos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Depois de gastar R$ 600 mil, secretaria da Copa de MT desfaz contrato de teleférico na Chapada

Fonte: UOL Esporte


http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2011/11/09/apos-gastar-r-600-mil-secretaria-da-copa-de-mt-cancela-obra-de-teleferico-na-chapada.htm


O governo de Mato Grosso cancelou o contrato da obra de um teleférico na Chapada dos Guimarães, no valor de R$ 6 milhões, que estava sendo construído dentro do planejamento do Estado para a Copa do Mundo de 2014 (e com os recursos destinados a este fim) como equipamento que fomentaria o turismo na região. O equipamento seria construído a 67 quilômetros da capital Cuiabá, sede da Copa.


O contrato assinado em 2009 com a empresa Zucchetto Máquinas e Equipamentos Industriais, que construiria o teleférico, não sobreviveu a uma auditoria interna do Poder Executivo de Mato Grosso. A empresa, porém, já havia recebido R$ 579.550 do governo matogressense, e não irá devolvê-los aos cofres públicos. À Procuradoria Geral do Estado do Mato Grosso, cabe ingressar na Justiça para reaver os recursos.
Agora, dois novos processos concorrenciais serão abertos: um para selecionar um projeto básico e outro para escolher a empresa que irá executá-lo. A previsão do governo de Mato Grosso é que a obra esteja pronta até o final de 2012, sendo que a segunda concorrência necessária está planejada para o final deste ano ou começo do ano que vem. A Secopa MT (Secretaria Extraordinária da Copa) afirma que não planeja realizar licitações de emergência. 


Sobre o valor final da obra, a Secopa MT informa ainda não poder precisar, mas diz esperar que não seja um valor superior ao que já planejara empenhar na empreitada, embora reconheça que terá que contratar a mesma obra com prazos mais apertados.
O problema que levou ao cancelamento da primeira licitação é que a Auditoria Geral do Estado encontrou, nas palavras da Secopa MT, "uma série de vícios no contrato firmado com a empresa vencedora do processo". O principal deles seria que a obra, que inicialmente era tocada pela secretaria de Turismo do Mato Grosso, fora licitada como "compra de um equipamento", e não como uma obra de construção civil.
Dessa forma, a obra teve início sem que tivesse sido licitado um projeto básico. A própria empresa contratada para construir o teleférico apresentou um projeto básico, o que contraria a lei de licitação brasileira (8666/93). Além disso, as licenças ambientais para construir não foram obtidas. Assim, a Auditoria Geral do Estado recomendou o cancelamento do contrato, e o governo acatou
O contrato com a Zucchetto Máquinas e Equipamentos Industriais foi fechado pela secretaria de Turismo do Mato Grosso quando o secretário era Yuri Bastos Jorge. Ao UOL Esporte, ele informa que não pode ser responsabilizado pelos erros na licitação, uma vez que "meu projeto era para uma série de obras de fomento ao turismo no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, mas as compras (como foi rotulada a obra) foram realizadas por outra secretaria".
Há, ainda, um outro detalhe: o teleférico cruzaria a propriedade privada do advogado Antonio Checchin Júnior, que entrou em acordo com o governo estadual para que a obra pudesse ser executada. Os documentos oficiais dão conta de que foi feita uma doação por parte do proprietário ao Estado de Mato Grosso.
O advogado em questão havia sido doador da campanha de Yuri Bastos Jorge a deputado estadual, em 2002. Foram R$ 25 mil, a maior doação de pessoa física à campanha do então secretário. A obra passou aos cuidados da Secopa MT quando Bastos era diretor da entidade. Hoje, ele é assessor especial do órgão.
Sobre o local escolhido para a obra ser o terreno pertencente ao seu maior doador de campanha, Bastos explica: "É mera coincidência. Não fui eu quem escolheu o local. Fazer doação para campanhas não é crime. Eu conheço muita gente que tem terrenos na Chapada, poderia ter sido no terreno de qualquer outra pessoa e ainda viriam levantar suspeitas".

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Atraso em obras da Copa gera extra de R$ 720 mi

Valor se refere a turnos adicionais criados para evitar estouro maior de prazo

Dezesseis estádios e aeroportos deverão ser erguidos em 'regime de urgência', o que inclui expediente noturno



Fonte: Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1002597-atrasos-em-obras-da-copa-vao-custar-ao-menos-r-720-mi.shtml


Os atrasos nos projetos de estádios e aeroportos vão fazer o país gastar, no mínimo, R$ 720 milhões a mais para realizar a Copa do Mundo de 2014. O montante seria suficiente para a construção de um novo estádio.

O valor se deve à despesa adicional com turnos extras de trabalhadores (incluindo expediente noturno) para que as obras não estourem ainda mais o prazo.


O "regime de urgência" implica um custo extra de 8%, segundo indicam as planilhas dos estádios do Mundial.


Nove arenas e sete aeroportos já são, ou deverão ser, erguidos em esquema de três turnos, varando a noite.


Esses projetos somam R$ 9 bilhões -incluídos os R$ 720 milhões de despesa adicional devido ao atraso. Entre eles está o Itaquerão, com obras noturnas já contratadas.


Segundo os órgãos de fiscalização e controle, quando a obra tem que ser feita de forma urgente, há redução em custos com locação de maquinário, por exemplo, devido ao menor tempo de uso. Por outro lado, há acréscimos nos gastos com energia e aluguel de equipamentos para iluminação. Na prática, reduções e acréscimos se anulam.


O que pesa no aumento dos custos são os encargos trabalhistas. Num empreendimento normal, o valor gasto com encargos equivale a 113% do salário do trabalhador da construção civil, segundo estudos de órgãos de controle. Quando há turnos extras e à noite, esse índice vai a 145%.


José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e Engenharia), diz que cada obra terá acréscimos de custo específicos e que dificilmente alguma deixará de tê-lo. "Faltou controle para a gestão, o tempo foi perdido." Em alguns casos, o atraso dos projetos passou de dois anos.


Obras noturnas já estão sendo adotadas em metade dos 12 estádios da Copa. Em todos eles, o preço para a execução de forma urgente já estava previsto na licitação. Outros dois estádios, Beira-Rio (RS) e Arena das Dunas (RN), em que a construção está em estágio inicial, consideram provável o turno extra. Manaus diz que pode usá-lo.


Apenas os responsáveis pelo Mineirão (MG), Arena Pantanal (MT) e Arena da Baixada (PR) descartam hoje o "regime de urgência".


No caso dos aeroportos, em pelo menos sete o valor será elevado pelos atrasos.


Um alerta já foi dado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O preço da construção do Terminal Remoto de Guarulhos (SP), uma das várias obras projetadas para o aeroporto, será no mínimo R$ 15 milhões acima do normal.


O aumento de custo deve acontecer com outros projetos da Infraero. Alguns estão previstos desde a década de 90, mas não foram iniciados.


O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, diz que foi decisão do governo adotar a urgência em Guarulhos. "Se fosse pelo ritmo normal, a obra ficaria pronta em junho de 2012 e teríamos problemas no fim do ano. Mas será o único contrato emergencial."