quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mais da metade das obras da Copa não tem nem licitação, diz TCU

Fonte: Folha.com: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1015215-mais-da-metade-das-obras-da-copa-nao-tem-nem-licitacao-diz-tcu.shtml

Faltando 30 meses para o início da Copa de 2014 no Brasil, 54% das obras de transporte (urbano e aeroportos) previstas para o evento não tem nem licitação. A informação consta de um balanço do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre as ações do governo para a Copa, aprovado ontem.

A situação das obras de transporte urbano foi classificada de "preocupante". Até agora, de 49 construções de BRT (corredores de ônibus), VLT e rodovias, 24 não foram licitadas e só quatro receberam algum recurso dos empréstimos previstos. Estas obras são de responsabilidade dos estados e municípios que vão sediar o evento e financiadas pelo governo federal.

Já no caso dos aeroportos, o TCU informa que são previstas 32 intervenções em 13 aeroportos. Dessas obras, 20 não foram licitadas, sete estão em execução e uma está pronta. Nos aeroportos, a situação foi considerada de alerta mas é menos preocupante que as de transporte urbano. Isso porque vários projetos já estão com licitação marcada e o TCU verificou melhora na gestão da Infraero.

Além dos problemas de transporte, o relatório aponta preocupações com as obras de portos. Nenhuma foi iniciada porque os oito projetos ainda estão em licitação. Há também temor com os projetos de urbanização das áreas ao redor dos estádios. Em oito cidades, essas intervenções serão feitas pelo poder público local. Nenhuma está licitada. Em muitos casos não se sabe o custo e não há sequer projetos prontos.

O TCU emitiu alerta sobre os problemas identificados para vários órgãos do governo e determinou que o ministério do Esporte inclua os valores dos projetos de urbanização na Matriz de Responsabilidade da Copa (documento que mostra os custos do evento). Mesmo sem a inclusão desses custos, o valor total da matriz já pulou de R$ 22 bilhões para R$ 27 bilhões em 20 meses.

O governo também foi alertado de que está atrasado com a chamada 2ª etapa da Matriz. Segundo o Planejamento, até junho deste ano os ministérios deveriam incluir custos de projetos de telecomunicações, segurança, saúde na Matriz, o que não aconteceu.

A situação dos estádios foi classificada como adequada pelo TCU. Segundo o órgão, as fiscalizações preventivas do TCU fizeram com que os custos previstos de seis projetos da Copa fossem reduzidos em R$ 451 milhões sem a necessidade de paralisar as obras.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Governo do DF anuncia licitação de R$ 176 mi, e custo do Estádio Nacional iguala o do Itaquerão

O custo do Estádio Nacional de Brasília, que está sendo construído pelo governo do Distrito Federal para a Copa do Mundo de 2014, será superior a R$ 846 milhões, e não mais R$ 688 milhões ou R$ 671 milhões, que eram as duas previsões de custos oficiais com que trabalhavam, até a semana passada, o Ministério do Esporte e o governo distrital, respectivamente.
No último dia 21, a Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) deu início ao processo de licitação para as obras de cobertura do Estádio Nacional de Brasília, com valor estimado e publicado no Diário Oficial do DF de R$ 175,8 milhões. Com isso, o custo do estádio, pago integralmente pelos cofres do DF, alcançará R$ 863,8 milhões, pelo dados do governo federal, ou R$ 846,8 milhões, como quer agora a administração distrital.
Mas este não será ainda o custo total do Estádio Nacional. Segundo o governo do DF, faltam ainda, pelo menos, mais duas licitações: uma para a compra do gramado e outra para as os 71 mil assentos do estádio, subdivididos entre cadeiras para o público geral, para os camarotes, para o setor VIP e para o setor VVIP. Ainda não há previsão de valor dessas licitações.
Com a nova conta, o estádio de Brasília alcança o custo do Itaquerão, arena que está sendo erguida pelo Corinthians na zona Leste de São Paulo. Lá, a estrutura principal sairá por R$ 820 milhões, segundo a empreiteira Odebrecht, responsável pela obra.
Além disso, o Estado de São Paulo licitará 20 mil arquibancadas móveis para serem utilizadas no estádio durante a Copa, a um custo estimado pela construtora em R$ 70 milhões. Mais caro que as arenas de São Paulo e do DF só mesmo a reforma do Maracanã, estimada em R$ 931 milhões.
UOL Esporte procurou o governo do Distrito Federal para entender o motivo da mudança de previsão de custos e ouviu que a estimativa de R$ 671 milhões para o custo do estádio jamais incluiu a cobertura da arena, uma obra totalmente diferente, que deve ser contratada junto a empresas especializadas no assunto, e não ser incluída no trabalho das empreiteiras que constrõem o estádio (Andrade Gutierrez e Via Engenharia).
Não é o que consta na Matriz de Responsabilidade da Copa do Mundo de 2014, documento assinado em 13 de janeiro de 2010 pelo então ministro do Esporte, Orlando Silva, e por 11 prefeitos e 12 governadores (Brasília, uma das cidades-sede, não tem prefeito).
A peça define as obras, os custos e as responsabilidades de cada ente federativo em todas as obras da Copa. Lá, o valor estimado do Estádio Nacional de Brasília é de R$ 701 milhões. Já na última atualização do documento, efetuada pelo Ministério do Esporte no último dia 9 de novembro, o valor cai para R$ 688 milhões.
O próprio governo do Distrito Federal já informou ao UOL Esporte, no dia 26 de outubro de 2011, que o custo estimado do Estádio Nacional de Brasília era de R$ 671 milhões. A informação foi transmitida por e-mail, em resposta a pergunta sobre previsão de custo da obra do estádio de Brasília.


No início da tarde do dia 25 de novembro, UOL Esporte questionou a assessoria de imprensa do governo do Distrito Federal sobre o motivo da discrepância entre o que consta na Matriz de Responsabilidade da Copa e na mensagem enviada ao UOL Esporte com o que agora dizem as autoridades distritais. Até a publicação desta reportagem, porém, não obteve resposta.

Obras da Copa de 2014 estão R$ 2 bi mais caras do que previsão inicial, diz jornal

Fonte: UOL Esporte
http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2011/11/28/obras-da-copa-de-2014-estao-r-2-bi-mais-caras-do-que-previsao-inicial-diz-jornal.htm


As obras para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, incluindo o aumento de gastos em projetos de mobilidade urbana e a elevação do orçamento dos estádios, já estão R$ 2 bilhões mais caras do que o previsto no início de 2010, segundo informações do jornal o Estado de S. Paulo desta segunda-feira


De acordo com informações do jornal, o orçamento da obras para o Mundial escapou do controle do governo e um dos exemplos é a fraude do Ministério das Cidades que permitiu a aprovação do projeto VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), em Cuiabá, mesmo esse sendo R$ 700 milhões mais caro que o projeto inicial apresentado.

Porém, a cidade de Cuiabá não é a única a apresentar aumento em seus gastos com obras de mobilidade urbana. Belo Horizonte, Recife, Manaus, Rio de Janeiro e Porto Alegre seguiram na mesma linha (veja o quadro ao lado).

A exceção é a cidade de São Paulo, que reduziu a previsão de custos com a obra do monotrilho. O orçamento caiu de R$2,8 bilhões para R$1,8 bilhão. Enquanto isso, Fortaleza não mudou o planejamento inicial e Brasília apresentou uma pequena elevação (4,48%).

Porém, a situação de São Paulo se inverte em relação aos custos com as obras na construção de estádios, já que a capital paulista optou por não reformar o Morumbi, o que custaria R$ 240 milhões, e optou pela construção do Itaquerão, que deve sair por R$ 820 milhões.



O custo do Maracanã subiu 47,25% (R$283 milhões) em relação ao que apresentado incialmente. Os responsáveis afirmam que o aumento se deve a mudança na cobertura do estádio, que receberá a decisão do Mundial.

A reforma do Beira-Rio, estádio do Internacional, em Porto Alegre (RS), dobrou, passando de R$ 130 milhões para R$ 290 milhões. Enquanto isso, o valor final do Mané Garrincha, em Brasília (DF), ainda é um mistério, já que alguns itens, como gramado, catracas e traves, serão licitados depois de concluídas as obras.

Em resposta ao jornal paulista, o Ministério das Cidades afirmou que “está em andamento a revisão da matriz de responsabilidades” dos projetos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Depois de gastar R$ 600 mil, secretaria da Copa de MT desfaz contrato de teleférico na Chapada

Fonte: UOL Esporte


http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2011/11/09/apos-gastar-r-600-mil-secretaria-da-copa-de-mt-cancela-obra-de-teleferico-na-chapada.htm


O governo de Mato Grosso cancelou o contrato da obra de um teleférico na Chapada dos Guimarães, no valor de R$ 6 milhões, que estava sendo construído dentro do planejamento do Estado para a Copa do Mundo de 2014 (e com os recursos destinados a este fim) como equipamento que fomentaria o turismo na região. O equipamento seria construído a 67 quilômetros da capital Cuiabá, sede da Copa.


O contrato assinado em 2009 com a empresa Zucchetto Máquinas e Equipamentos Industriais, que construiria o teleférico, não sobreviveu a uma auditoria interna do Poder Executivo de Mato Grosso. A empresa, porém, já havia recebido R$ 579.550 do governo matogressense, e não irá devolvê-los aos cofres públicos. À Procuradoria Geral do Estado do Mato Grosso, cabe ingressar na Justiça para reaver os recursos.
Agora, dois novos processos concorrenciais serão abertos: um para selecionar um projeto básico e outro para escolher a empresa que irá executá-lo. A previsão do governo de Mato Grosso é que a obra esteja pronta até o final de 2012, sendo que a segunda concorrência necessária está planejada para o final deste ano ou começo do ano que vem. A Secopa MT (Secretaria Extraordinária da Copa) afirma que não planeja realizar licitações de emergência. 


Sobre o valor final da obra, a Secopa MT informa ainda não poder precisar, mas diz esperar que não seja um valor superior ao que já planejara empenhar na empreitada, embora reconheça que terá que contratar a mesma obra com prazos mais apertados.
O problema que levou ao cancelamento da primeira licitação é que a Auditoria Geral do Estado encontrou, nas palavras da Secopa MT, "uma série de vícios no contrato firmado com a empresa vencedora do processo". O principal deles seria que a obra, que inicialmente era tocada pela secretaria de Turismo do Mato Grosso, fora licitada como "compra de um equipamento", e não como uma obra de construção civil.
Dessa forma, a obra teve início sem que tivesse sido licitado um projeto básico. A própria empresa contratada para construir o teleférico apresentou um projeto básico, o que contraria a lei de licitação brasileira (8666/93). Além disso, as licenças ambientais para construir não foram obtidas. Assim, a Auditoria Geral do Estado recomendou o cancelamento do contrato, e o governo acatou
O contrato com a Zucchetto Máquinas e Equipamentos Industriais foi fechado pela secretaria de Turismo do Mato Grosso quando o secretário era Yuri Bastos Jorge. Ao UOL Esporte, ele informa que não pode ser responsabilizado pelos erros na licitação, uma vez que "meu projeto era para uma série de obras de fomento ao turismo no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, mas as compras (como foi rotulada a obra) foram realizadas por outra secretaria".
Há, ainda, um outro detalhe: o teleférico cruzaria a propriedade privada do advogado Antonio Checchin Júnior, que entrou em acordo com o governo estadual para que a obra pudesse ser executada. Os documentos oficiais dão conta de que foi feita uma doação por parte do proprietário ao Estado de Mato Grosso.
O advogado em questão havia sido doador da campanha de Yuri Bastos Jorge a deputado estadual, em 2002. Foram R$ 25 mil, a maior doação de pessoa física à campanha do então secretário. A obra passou aos cuidados da Secopa MT quando Bastos era diretor da entidade. Hoje, ele é assessor especial do órgão.
Sobre o local escolhido para a obra ser o terreno pertencente ao seu maior doador de campanha, Bastos explica: "É mera coincidência. Não fui eu quem escolheu o local. Fazer doação para campanhas não é crime. Eu conheço muita gente que tem terrenos na Chapada, poderia ter sido no terreno de qualquer outra pessoa e ainda viriam levantar suspeitas".

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Atraso em obras da Copa gera extra de R$ 720 mi

Valor se refere a turnos adicionais criados para evitar estouro maior de prazo

Dezesseis estádios e aeroportos deverão ser erguidos em 'regime de urgência', o que inclui expediente noturno



Fonte: Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1002597-atrasos-em-obras-da-copa-vao-custar-ao-menos-r-720-mi.shtml


Os atrasos nos projetos de estádios e aeroportos vão fazer o país gastar, no mínimo, R$ 720 milhões a mais para realizar a Copa do Mundo de 2014. O montante seria suficiente para a construção de um novo estádio.

O valor se deve à despesa adicional com turnos extras de trabalhadores (incluindo expediente noturno) para que as obras não estourem ainda mais o prazo.


O "regime de urgência" implica um custo extra de 8%, segundo indicam as planilhas dos estádios do Mundial.


Nove arenas e sete aeroportos já são, ou deverão ser, erguidos em esquema de três turnos, varando a noite.


Esses projetos somam R$ 9 bilhões -incluídos os R$ 720 milhões de despesa adicional devido ao atraso. Entre eles está o Itaquerão, com obras noturnas já contratadas.


Segundo os órgãos de fiscalização e controle, quando a obra tem que ser feita de forma urgente, há redução em custos com locação de maquinário, por exemplo, devido ao menor tempo de uso. Por outro lado, há acréscimos nos gastos com energia e aluguel de equipamentos para iluminação. Na prática, reduções e acréscimos se anulam.


O que pesa no aumento dos custos são os encargos trabalhistas. Num empreendimento normal, o valor gasto com encargos equivale a 113% do salário do trabalhador da construção civil, segundo estudos de órgãos de controle. Quando há turnos extras e à noite, esse índice vai a 145%.


José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e Engenharia), diz que cada obra terá acréscimos de custo específicos e que dificilmente alguma deixará de tê-lo. "Faltou controle para a gestão, o tempo foi perdido." Em alguns casos, o atraso dos projetos passou de dois anos.


Obras noturnas já estão sendo adotadas em metade dos 12 estádios da Copa. Em todos eles, o preço para a execução de forma urgente já estava previsto na licitação. Outros dois estádios, Beira-Rio (RS) e Arena das Dunas (RN), em que a construção está em estágio inicial, consideram provável o turno extra. Manaus diz que pode usá-lo.


Apenas os responsáveis pelo Mineirão (MG), Arena Pantanal (MT) e Arena da Baixada (PR) descartam hoje o "regime de urgência".


No caso dos aeroportos, em pelo menos sete o valor será elevado pelos atrasos.


Um alerta já foi dado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O preço da construção do Terminal Remoto de Guarulhos (SP), uma das várias obras projetadas para o aeroporto, será no mínimo R$ 15 milhões acima do normal.


O aumento de custo deve acontecer com outros projetos da Infraero. Alguns estão previstos desde a década de 90, mas não foram iniciados.


O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, diz que foi decisão do governo adotar a urgência em Guarulhos. "Se fosse pelo ritmo normal, a obra ficaria pronta em junho de 2012 e teríamos problemas no fim do ano. Mas será o único contrato emergencial."

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Dilma decide tirar Orlando Silva, mas quer manter PC do B no Esporte, diz jornal


Fonte: UOL Esportes
A presidente da República, Dilma Rousseff, está tão preocupada com a crise do Ministério do Esporte que convocou uma reunião de emergência logo que chegou de Angola. Segundo o Estado de S. Paulo, ela já está certa de que o desgaste político de Orlando Silva é irreversível, e decidiu tirá-lo do comando da pasta. Mas a tendência é que o PC do B mantenha o controle do ministério.
De acordo com a matéria do Estadão, Dilma ouviu os relatos do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre o andamento das investigações contra Orlando no Ministério Público e na Polícia Federal.
A pedido de Orlando, a Advocacia Geral da União entrou com uma queixa-crime contra o policial militar João Dias Ferreira e o motorista Célio Soares Pereira, que o acusam de desvio de recursos no programa Segundo Tempo.
“Nós temos de ter muita seriedade nessa hora porque não apareceu nenhuma prova contra o Orlando”, falou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, pouco antes de entrar na reunião emergencial com Dilma.
A saída de Orlando, porém, é considerada questão de tempo pelo Palácio do Planalto. Ainda segundo o Estadão, auxiliares de Dilma suspeitam de ações da Fifa e da CBF para desgastar o ministro.

Custo dos estádios em sedes que abrigarão só quatro jogos chega a R$ 125 milhões por partida


Fonte: UOL Esporte
Os estádios que estão sendo erguidos em Manaus (AM), Cuiabá (MT) e Natal (RN), todos custeados integralmente com dinheiro público, receberão apenas quatro jogos da Copa cada, a um custo, por jogo, de R$ 125 milhões, R$ 115,75 milhões e R$ 100 milhões, respectivamente.
As três arenas têm em comum o fato de estarem em Estados que não têm tradição no futebol. Nenhum deles possui um time na série A do Campeonato Brasileiro. Já na série B, apenas o Rio Grande do Norte tem um representante: o ABC de Natal.
Assim, as arenas que estão sendo construídas nessas três capitais, a um custo que vai de R$ 400 milhões e R$ 500 milhões cada (veja tabela abaixo), servirão quase que unicamente para a Copa, tornando todo o investimento empreendido unicamente justificável por seu uso em quatro partidas de futebol.
Não se trata de simples projeção para o futuro. Os números em relação a público e renda nos campeonatos estaduais do Amazonas, de Mato Grosso e do Rio Grande do Norte falam por si.  O Campeonato Amazonense deste ano, por exemplo, teve 80 jogos. O público de todas as partidas somadas chegou a parcos 38 mil pagantes, segundo a Federação Amazonense de Futebol.
Ou seja, o público de todo o campeonato Amazonense de 2011 seria insuficiente para encher a Arena da Amazônia, que tem capacidade para 42 mil pessoas. A  média de público do torneio foi de menos de 450 testemunhas por jogo.
Em Mato Grosso, a situação não é muito melhor. Os principais times do Estado disputam a quarta divisão do futebol nacional (série D). A exceção é o Luvurdense, do município de Lucas do Rio Verde, que foi alçado à série C do Campeonato Brasileiro graças a um imbróglio no tapetão que tirou o Rio Branco (AC) da competição.
Em partida válida pela série D, no último dia 2, o Cuiabá enfrentou e venceu o Sampaio Corrêa (MA) por 3 a 0 no estádio Dutrinha, na capital matogrossense. O resultado classificou o time cuiabano para as quartas de final da série D, para a alegria dos 637 pagantes, que proporcionaram uma renda de R$ 3.185.
Já no Rio Grande do Norte, a expressão dos clubes locais e a dimensão do Estádio das Dunas não são tão antagônicas. Isso não significa, entretanto, que o estádio do Machadão, com capacidade para 42 mil pessoas e que será demolido para a construção da nova arena, não desse conta dos eventos futebolísticos locais. O investimento do Estado do Rio Grande do Norte, de R$ 400 milhões para erguer o novo estádio, dificilmente terá retorno ou se tornará economicamente viável após as quatro partidas do Mundial de futebol. 
O ABC-RN, tiome melhor colocado do Estado atualmente, disputa a série B e costumar atrair menos de 10 mil pessoas por jogo. No dia 1º de outubro, em partida contra o Sport de Recife em Natal, o público pagante foi de 8630 pessoas, para uma renda de R$ 143.845. Já no último dia 18, o "Mais Querido", como é conhecido o ABC em Natal, recebeu o Boa Esporte/MG e venceu por 2 a 0. Público: 4.391 torcedores. Renda: R$ 36.212,50

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Exigências da Fifa para a Copa violam direitos do consumidor brasileiro

Fonte: R7 Esportes:
http://esportes.r7.com/futebol/noticias/exigencias-da-fifa-para-a-copa-violam-direitos-do-consumidor-brasileiro-20111005.html


Entidade quer punir torcedores que desistirem de ingresso comprado

A Lei Geral da Copa, encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional no mês passado, pode dar tantos poderes à Fifa (Federação Internacional de Futebol) que algumas das principais leis de proteção ao consumidor brasileiro serão colocadas na geladeira no mês em que acontecer o evento, programado para 2014. 
O texto prevê uma série de medidas sobre os eventos esportivos internacionais vinculados à Copa do Mundo, como as responsabilidades da Fifa e da União em relação às competições e eventos paralelos, a proteção de símbolos oficiais protegidos, as punições para quem falsificar produtos licenciados e as regras sobre venda de ingressos.
Principal fornecedora de produtos da competição, a entidade pede a regulamentação de venda casada (quando alguém é obrigado a comprar um outro produto junto com o que realmente quer adquirir), a elevação da pena para quem for condenado por falsificar objetos com a marca oficial da Copa e ainda ameaça com punição quem desistir de ingressos comprados para os jogos.

A polêmica começou quando se descobriu que o projeto de lei e as exigências feitas pela Fifa entram em conflito com dispositivos já vigentes no Brasil, como o direito à meia-entrada, o Código de Defesa do Consumidor, os Estatutos do Idoso e do Torcedor e leis adotadas por alguns Estados para questões específicas, como a venda de bebidas alcoólicas.

A organização presidida pelo suíço Joseph Blatter já disse, por exemplo, que não quer que estudantes e idosos tenham direito a pagar meia-entrada para assistir às partidas. Além disso, não abre mão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, o que é proibido por leis estaduais, e pretende elevar a pena para quem piratear produtos esportivos.

Acontece que o maior fornecedor desses produtos é a própria Fifa, que também faz a intermediação da maioria das relações comerciais nos jogos. De acordo com o advogado do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor),Guilherme Varella, se aprovada, a lei fará da entidade uma “superfornecedora”.

- A Fifa tem exclusividade na venda de todos os produtos e serviços cuja marca seja a Copa do Mundo, desde a negociação de transmissão das imagens até a venda de ingressos e de produtos básicos, como camisetas e canecas.

Ele diz que, como fornecedora, a Fifa deveria se sujeitar à legislação brasileira.

- A Fifa não pode ser uma exceção sob o pretexto da excepcionalidade do evento. A Lei da Copa permite que ela entre no território nacional como uma superfornecedora. Nenhum outro fornecedor terá as mesmas condições durante o torneio.

Cadeia 
Mas esses não são os únicos privilégios que a entidade exige. No artigo 33, inciso III, a Lei Geral da Copa diz que a Fifa poderá estabelecer uma “cláusula penal” caso um torcedor queira desistir do ingresso “após a confirmação de que o pedido do ingresso foi aceito ou após o pagamento do valor do ingresso”.  Para valer, o texto precisa ser aprovado pelo Congresso e depois sancionado pela presidente Dilma Rousseff.

Varella afirma que, na prática, o brasileiro - que hoje tem o direito de desistir de uma compra em até sete dias - poderá ser multado e, no limite, até condenado à prisão.

- A cláusula diz que, se o consumidor desistir do ingresso, ele receberá uma multa que, se não for paga, pode se converter em uma pena que deverá ser cumprida na cadeia.

A Fifa também quer subir a pena para quem piratear seus produtos: de um a três meses para um a três anos de prisão.

- Eles se preocupam com a pirataria, mas tem preocupação quase nula com o consumidor. A Fifa atropela as leis nacionais. Em nenhum momento se fala em seus deveres e responsabilidades, mas ela responsabiliza o Brasil por eventuais problemas. É uma relação desequilibrada. Esses superpoderes eliminam a reparação aos torcedores.

Com a lei, a Fifa poderá até fazer a chamada “venda casada”, quando obriga alguém a comprar um produto para adquirir o que realmente quer.

- Eles vão poder, por exemplo, só vender para o torcedor um jogo entre Brasil e Argentina se ele também comprar o pacote que vai ter a passagem de avião e o hotel perto do estádio. Isso é proibido pelo artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor. 



A coordenadora institucional da ProTeste, Maria Inês Dolci, diz que a Lei Geral vai colocar por terra pelos menos 20 anos de lutas sociais.

- Estamos colocando em risco 20 anos de trabalho intensivo da sociedade que se organizou no Brasil. Não é fácil um país como o nosso ter um Estatuto do Idoso, um Código de Defesa do Consumidor.

Para incluir a sociedade na discussão, a entidade colocou uma petição em seu site (www.proteste.org.br) para que os brasileiros peçam mudanças no projeto. Esse abaixo assinado será entregue ao governo federal e ao Congresso.

- Temos de mostrar às autoridades brasileiras que é uma grande ameaça ter esses direitos revogados. Os direitos do consumidor não devem acabar com a Copa.

É o que pensa o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), responsável por um requerimento propondo um debate da Lei Geral da Copa no Congresso.

- A Fifa inclui uma cláusula penal para quem utilizar as marcas “Copa do Mundo”, “Brasil 2014” e “Mundial de Futebol”. Quem fizer uma pintura dessas na parede pode ficar preso de 1 a 3 meses.

Desrespeito 
Para completar, há gente no Planalto que interpretou como desrespeito o fato de a presidente Dilma Rousseff não ter sido recebida pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, na última segunda-feira (3), em Bruxelas, na Bélgica, para uma reunião dedicada a debater justamente a Lei Geral da Copa. Quem atendeu a presidente foi o secretário-geral da entidade, Jerome Volcke.

Randolfe lembra ainda que o Senado aprovou, no dia 28 de setembro, um convite para que o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COL (Comitê Organizador Local) da Copa, Ricardo Teixeira, vá ao Congresso participar de uma audiência sobre a lei. O encontro, contudo, ainda não foi agendado, e Teixeira não é obrigado a comparecer – pois foi convidado.

Para o senador, “a lei é uma intromissão ao que diz a Constituição”.

- É uma legislação imposta por uma entidade estrangeira que revoga 14 dispositivos do Estatuto do Torcedor e retira direitos já conquistados. Nem a ditadura fez isso. Até ela tinha uma ordem institucional que seguia. Rasgar a Constituição é um preço muito alto pela Copa do Mundo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

TCU quer multar Ministério do Esporte por má gestão em consultoria da Copa-2014 - Parte 4


Temendo o pior, o TCU pediu ajuda ainda  à Controladoria Geral da União no acompanhamento, “enfocando o projeto básico e as possíveis falhas na execução do contrato de apoio à organização da Copa do Mundo 2014”.
Mas nada disso adiantou para evitar as falhas recorrentes desde julho de 2009. Coube ao TCU, então, interrogar os funcionários responsáveis pelos problemas.
 Os funcionários José Lincoln Daemon, Guilherme Calhao Motta, Marília Ferreira Galvão e Reni de Paula Fernandes foram  interrogados pelos auditores mas não foram convincentes.
Os auditores propuseram multa administrativa a todos eles, descontada dos salários,  mas  o ministro-relator Walmir Campelo, aliviou a punição no acórdão final com uma alegação bizarra:  “nosso papel é pedagógico”.

Parte dos problemas encontrados pelos auditores foram acomodados pelo ministro Valmir Campelo, relator do acórdão. Enquanto os auditores demonstraram rigor no enquadramento das falhas de medição e pagamentos irregulares de milhões de reais, Campelo foi político e tolerante com o Ministério do Esporte:

“Todavia, entendo que a aplicação de multa aos responsáveis ainda é medida precipitada. Isso porque a tônica que orienta as ações de fiscalização das ações preparatórias para a Copa do Mundo de 2014 é no sentido de prevenir a ocorrência de prejuízo e atuar de forma pedagógica, no máximo de cooperação com a Administração, objetivando prevenir atrasos nos cronogramas de modo a comprometer a realização do evento”.

Motivos não faltaram para despertar a desconfiança do TCU em relação ao contrato 053/2009.

 Na audiência de 6 de  abril de 2011, o Tribunal de Contas denuncia a compra  indevida de equipamentos de informática, passagens aéreas e despesas como aluguel de carro feitas pelo consórcio, sob ordens dos fiscais do ministério. Essas despesas foram ilegais e o responsável pela gestão técnica no ME, José Lincoln Daemon foi o responsável pela autorização do pagamento. Por isso, os auditores propuseram a multa.

 Além disso, o TCU decidiu congelar as análises das contas do Ministério, até que os problemas com o Consórcio Copa 2014 sejam resolvidos. As contas também são assinadas por Lincoln Daemon.

As outras providências do acórdão 842/2011, de 6 de abril,  é um recado direto ao ministro do Esporte, Orlando Silva: “alertar o Ministro do Esporte para as inconsistências identificadas pela equipe de fiscalização deste Tribunal na execução do Contrato nº 053/2009”.

Trechos dos relatórios dos auditores foram aceitos na redação do acórdão:

“Ocorre que, regra geral, a mesma situação se repete nessa área: a ausência da demonstração da relação dos serviços prestados com os profissionais alocados pelo Consórcio”, escreve o ministro Campelo em seu voto.

Em outro trecho, o ministro reforça o que os auditores escreveram quanto à falta de descrição e detalhamento dos serviços prestados pelo consórcio e ao uso dos termos do edital como se fosse relatório de trabalho executado, o que é irregular.
“Novamente, as medições realizadas refletem exatamente a previsão contida no edital de licitação, conforme se verifica nos relatórios mensais juntados ao Anexo I destes autos, indicando a ausência de execução financeira vinculada aos produtos apresentados.
Na sequência do documento surge a consolidação da dúvida quanto ao pagamento dos serviços que não podem ser tecnicamente medidos.  
“Depreende-se, portanto, dos achados de fiscalização acima transcritos, que não é possível afirmar com segurança que esteja havendo uma efetiva correlação entre os serviços prestados e o cronograma de pagamentos. Tal situação não permitiria verificar a compatibilidade entre os produtos entregues pelo consórcio contratado e os preços ajustados e já pagos”.
Segundo o TCU, os técnicos do Ministério de Esporte usaram relatórios de setembro de 2009 para cobrar, de novo, por serviços que teriam sido realizados em 2010.
“...primeiramente não se verifica a relação imediata entre os serviços adicionais citados e a Solicitação de Serviço SS-07. A título de exemplo, o fiscal do contrato alega que teria sido realizado ‘extenso estudo da estratégia adotada por outros países em Copas anteriores no que se refere à questão aeroportuária’. Ocorre que esse estudo foi realizado em setembro de 2009, enquanto a Solicitação de Serviço SS-07 dizia respeito ao mês de fevereiro de 2010 (Anexo 1, fls. 200/207).”
O Tribunal ressalta que a reunião de 6 de abril de 2011 serviu apenas para monitorar o cumprimento de determinações anteriores. Isso quer dizer que o Consórcio Copa 2014 estava na mira dos auditores desde 2009. Um documento-chave para os analistas foi a apresentação da primeira solicitação de serviço por parte do Ministério do Esporte, a SS 1.
A SS 1 tentou englobar seis meses a fio, de agosto de 2009 a janeiro de 2010.  Mais uma vez, a medição necessária deixou de ser feita e o pagamento de quase R$ 5 milhões foi realizado, sem atraso, referente a 36,78% do valor inicial do contrato (com três aditivos, o preço subir a R$ 24 milhões)
Os gestores do Ministério do Esporte simplesmente reproduziram aquilo que o edital já havia requerido. Nada de medição real. Copiaram o que estava no edital como plano de trabalho e enviaram ao TCU como serviço feito e  pago (sem medição real).
“. Ressalte-se que a Solicitação de Serviços – SS 01 englobou período de seis meses da execução contratual e gerou pagamentos da ordem de R$ 4.875.760,16 (Anexo 1, fl. 209), correspondentes a 36,78% do valor do ajuste, quantia representativa que agrava a situação verificada. Impende salientar que o foco desta análise é o cumprimento das determinações já proferidas. Não se está a apurar, neste momento, eventual prejuízo ao erário e a mensuração de possível débito decorrente da contratação em tela.”
De agosto de 2009 a agosto de 2010 foram emitidas 36  ordens de serviço, segundo o TCU. Todas trouxeram a mesma ilegalidade: não havia correlação entre os serviços supostamente prestados e os profissionais designados. Os fiscais do ME apenas copiaram os termos do edital da concorrência. Esse procedimento está sendo usado por todos os envolvidos no Consórcio: “tudo o que fizemos está no edital”.
O TCU é conclusivo quanto ao afrouxamento do controle por parte dos fiscais do Ministério do Esporte: “ subsistem as falhas quanto à ausência de definição de produtos, subprodutos, nível de qualidade e quantificação do respectivo limite máximo de homens-hora, bem como no tocante às respectivas medições e atestos da prestação de serviços”.
A discriminação do serviço prestado é exatamente igual ao que estabelecia o edital da concorrência. O Tribunal desconfia dessa coincidência e denuncia pagamentos sem comprovação de serviços e gastos:“...reforça o entendimento quanto à utilização das ordens de serviço para adequar a execução contratual à determinação do TCU, de maneira apenas formal, sem, no entanto, representar efetivamente a relação entre os produtos, a carga horária necessária e o custo efetivo dos serviços”.
José Lincoln Daemon é o subsecretário de Planejamento, Orçamento e Adminstração do Ministério do Esporte. Ele e os outros funcionários não convenceram os auditores do TCU. Daemon autorizou a renovação do contrato com o Consórcio Copa 2014, apesar de todos os erros de fiscalização verificados.
Fonte: UOL Esportes

TCU quer multar Ministério do Esporte por má gestão em consultoria da Copa-2014 - Parte 3


A suspeita sobre o consórcio Copa 2014 começa pela empresa líder, cujos registros na Junta Comercial de São Paulo  confirmam que Moacir Galo é o diretor da agência e os outros diretores são membros de sua família com percentual de cotas sem poder de decisão. O capital da empresa foi registrado em R$ 650 mil. Mesmo assim, Galo pilota um consórcio que vai tirar dos cofres públicos R$ 48 milhões.
O edital bem escrito e detalhado ajudou Galo: “empresas consorciadas poderiam demonstrar capital conjuntamente”.  A Value se apresenta na Jucesp com capital de R$ 1,95 milhão. A maior parte pertence a Alberto Antoniolli.
Teoricamente, a Galo seria responsável pela organização de eventos esportivos. Mas nem ele soube dizer quantos eventos seriam realizados até o final do contrato. E quantos foram realizados nos dois últimos anos.
A maior curiosidade é que a empresa líder, dona do menor capital, tem a cota mais alta de ganho: 37,5%. Pela ordem de ganho, a Value Partners  (Milão) vem em segundo com 32,5%; Enerconsult tem 25% e a Value Consulting (Londres) é a última com 5% das cotas.
Segundo Moacir Galo, os produtos são confidenciais  “são demandas do Ministério. Eles pedem e nós atendemos”
Mas para o Tribunal de Contas da União a demanda do Ministério não é clara,  nem o produto oferecido está sendo medido rigorosamente, antes da emissão da ordem de pagamento com dinheiro público.
Em monitoramento do TCU feito sobre o contrato 02/2009, assinado entre o Consórcio e o Ministério do Esporte, fica evidente  o afrouxamento dos fiscais do Ministério no controle dos serviços e dos pagamentos efetuados.
Em 2010, os técnicos do ministério autorizaram até despesas com passagens aéreas, aluguel de carros e aquisição de equipamentos de informática. Os auditores afirmam que ninguém comprovou se as despesas eram necessárias e se foram realmente feitas. Além disso, os gastos foram feitos fora da planilha básica do edital. O custo disso chegou a R$ 700 mil aos cofres públicos.
Os auditores do TCU reprovaram a atitude dos funcionários do Ministério do Esporte no relatório.
“...o que resulta em pagamentos por esses insumos independentemente da comprovação da efetiva aquisição e utilização, gera riscos de contratação antieconômica para a Administração e caracteriza o descumprimento dos arts. 62 e 63, da Lei n° 4320/64, e do art. 41 c/c art. 40, §2º, II e IV, da Lei nº 8.666/93”.
Diante disso, os auditores decidiram multar quatro funcionários da Comissão Permanente de Licitação do Ministério do Esporte e congelaram as contas do ME, relativas ao ano 2010.
“Ante o exposto, propõe-se sejam rejeitadas as razões de justificativa dos Srs. Guilherme Calhao Motta, Marília Ferreira Galvão e Reni de Paula Fernandes, membros da Comissão Permanente de Licitação do Ministério do Esporte, em razão da inclusão dos custos relativos a equipamentos de informática, locação de veículos, passagens e estadias e materiais de reposição, de forma diluída”,  contra o que estabelece o edital de concorrência (002/2009).
Como consequência a multa foi estipulada a todos os membros da comissão de licitação. “Propõe-se ainda aplicar aos membros da CPL/ME a multa prevista no art. 58, inciso II, da Lei nº 8.443/92, fixando-lhes o prazo de 15 (quinze) dias, a contar da notificação, para que comprovem, perante o Tribunal, o recolhimento da multa ao Tesouro Nacional, atualizada monetariamente desde a data do presente acórdão, até a data do efetivo recolhimento, se for paga após o vencimento, na forma da legislação em vigor”.
O documento 003.560/2010-4 do TCU traz críticas severas ao funcionamento da Secretaria Executiva do Ministério do Esporte. Quatro funcionários foram convocados pelo TCU para explicar pagamentos irregulares às empresas do Consórcio Copa 2014.  O relatório foi feito para atender dois acórdãos  (1227 e 2998, de 2009).
O primeiro acórdão decidiu “determinar à Secretaria Executiva do Ministério do Esporte que ... promova rigorosa verificação da proposta comercial do consórcio habilitado ... no sentido de que a execução do contrato seja sempre precedida do estabelecimento de ordem de serviço dos produtos  esperados para cada período de medição (comprovação do serviço prestado)... bem como da quantificação do limite máximo de homens-hora necessários à sua realização”.
O TCU determinou ainda que qualquer irregularidade visível fosse imediatamente comunicada aos auditores. Para fiscalizar o ME e o consórcio Copa-2014, o TCU  enviou uma cópia do contrato assinado e do cronograma de serviços a serem prestados também aos técnicos da Casa Civil do Palácio do Planalto, ao Ministério Público Federal e ao Comitê Gestor da Copa (Gecopa).
Fonte; UOL Esportes

TCU quer multar Ministério do Esporte por má gestão em consultoria da Copa-2014 - Parte 2


Líder do consórcio, a Galo que mantém um prédio de 3 andares no centro comercial de Alphaville. O endereço oficial do Consórcio Copa-2014 é o mesmo da empresa de publicidade. Nem a Galo, nem a Value Partners (que é formalmente dirigida pelo italiano Alberto Antoniolli, hoje residente em Milão) soube responder a uma pergunta básica do UOL Esporte:
UOL Esporte: O que você fez nesses dois anos de contrato com o Ministério do Esporte que justificasse o pagamento ao grupo de R$ 24,1 milhões para mais dois anos?
Moacir Galo: Não posso falar porque tenho contrato de confidencialidade com o Ministério do Esporte. Tudo o que está sendo feito, está no edital.
UOL Esporte: Mas você vem trabalhando há dois anos, Galo. Você não se lembra de nada sobre o trabalho realizado pelo consórcio que você lidera?
Moacir Galo: tudo está no edital. O resto é confidencial.
UOL Esporte: Como você reagiu aos questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União que viu fragilidade na execução do contrato de apoio gerencial à Copa 2014?
Moacir Galo: Sempre prestamos esclarecimentos ao Ministério. Não sabia que o Tribunal tinha falado isso.
O gerente sênior da Value Partners do Brasil, Rogério Meira, chegou a ligar para o Ministério do Esporte antes de conversar com o UOL Esporte:
Assessoria do ME: O Rogério me ligou agora, dizendo que você ligou pra ele.
UOL Esporte: Só queremos saber o que o consórcio fez nesses dois anos e por que vocês renovaram o contrato com as empresas, mesmo depois do questionamento feito pelo TCU, quanto à ilegalidade nos pagamentos e na medição dos serviços.
Rogério Meira(Value Partners): Sim, estamos cumprindo o que determina o edital. Mas não posso revelar nada,  por que o contrato é confidencial com o Ministério do Esporte.
Uma das perguntas feitas a Meira era sobre o responsável jurídico pela Value Partners, o italiano Alberto Antoniolli, o mesmo que dirige a Value Partners Consulting, a partir de Londres. Os motivos que levaram essas empresas a participar dessa licitação, predispostas a montar um consórcio, ainda não foram revelados pelos auditores do TCU.
Rogério Meira: Antoniolli mora em Milão.  Mesmo operando com consultoria no Brasil, tivemos nosso balanço financeiro auditado internacionalmente.
Fonte: UOL Esportes

TCU quer multar Ministério do Esporte por má gestão em consultoria da Copa-2014 - Parte 1


Quatro funcionários do Ministério do Esporte foram pegos pelos auditores do  Tribunal de Contas da União por descumprirem a lei de licitações 8666/93. Os auditores do TCU pediram que os funcionários fossem multados por terem autorizado pagamentos a quatro empresas do Consórcio Copa 2014 sem ordens de serviço e, pior, sem relatório detalhado do trabalho realizado.
Os funcionários também autorizaram pagamentos de despesas não previstas no edital, como passagens aéreas dos consultores contratados, computadores, hotéis. A exceção custou R$ 700 mil aos cofres públicos.
O Consórcio Copa 2014 foi contratado em licitação de julho de 2009 para dar “suporte de gerenciamento ao Ministério do Esporte”.
O caso foi agravado porque após auditoria do TCU, o Ministério do Esporte decidiu aumentar o valor do contrato de prestação de serviços em quase 80%. Como se não bastasse, as empresas felizardas renovaram o contrato até julho de 2013.
O custo do serviço foi orçado em R$ 13,1 milhões em 2009 e em 2011, graças a aditivos, o preço saltou para R$ 24 milhões. No total, as empresas vão ganhar cerca de R$ 40 milhões, se não houver mais aumentos.
A dinheirama é para comprar apoio ao gerenciamento da Copa  2014, em uma consultoria elástica que vai das análises sobre obras de infraestrutura, como linhas de metrô e aeroportos, passa por conhecimento de arquitetura urbana, engenharia construtiva e até eventos esportivos.
O problema é cumprir o que manda o edital e a lei 8.666, que rege a burocracia das licitações. A lei e os editais exigem que os pagamentos sejam feitos “mediante medição do serviço ou obra realizada e rigoroso planejamento da carga horária dos operários ou técnicos”, para evitar gastança do dinheiro público.
Nenhum membro do consórcio quer detalhar exatamente o que fez ou fará para que o grupo fature cerca de R$ 40 milhões até julho de 2013.  Pior: são os funcionários do Ministério do Esporte que advogam pelos “bons serviços prestados pelas empresas”.
Chamados ao TCU, os funcionários deram as mesmas respostas, em bloco, a todas as perguntas dos auditores. As respostas “foram consideradas insuficientes” e os gestores reprovados.
O caso parece ser emblemático na arte de construir um edital de licitação como se pretendesse beneficiar apenas algumas empresas do mercado. As quatro felizardas são: Galo Publicidade e Marketing (São Paulo), Value Partners do Brasil, Value Partners Consulting (com sede em Milão e em Londres, respectivamente) e a Enerconsult (São Paulo).
Cuidadosamente, o edital proibiu a participação de concorrentes que tivessem qualquer vínculo com outras pastas do governo. Assim, as quatro empresas entraram na concorrência. Uma delas, a Galo Marketing e Publicidade, empresa familiar com faturamento declarado de R$ 650 mil, sabia que jamais poderia cumprir os quesitos do edital sozinha.
Fonte: Uol Esportes

A farra secreta e pedagógica da Copa 2014


As suspeitas de irregularidades em contratos para a Copa 2014 se processam com velocidade maior que a prevista. Sem exagero, é a continuidade da farra dos Jogos Pan-Americanos 2007, pois daquela confusão ainda não se tem o balanço oficial final. E, quem sabe, nem se terá...
Escândalo
        O escândalo mais recente é resultado de uma persistente investida do repórter Roberto Pereira, do UOL Esporte, que decidiu decifrar a parceria do Ministério do Esporte com o Consórcio Copa 2014, criado exclusivamente para prestar assessoria ao governo, já que a turma do ministro Orlando Silva não está capacitada para tanto.
        Há dois anos eu já havia suspeitado dessa parceria, que chamei de “nebulosa”.
        Em primeiro lugar, porque, dois anos depois de assinado o contrato, até hoje o tal Consórcio não disponibilizou página na internet, que continua “em construção”.  
        E, principalmente, porque, do contrato original de R$ 13 milhões, o Ministério do Esporte aumentou o valor em 80%, passando para R$ 24 milhões. Motivo: “Houve ampliação qualitativa de seu objeto”. Ou seja, o Consórcio assumiu novos compromissos, informou a assessoria do ministro Orlando Silva.
        E que compromissos são esses?
        Não se sabe, porque há um “contrato de confidencialidade”, como revela Roberto, com base nas entrevistas que realizou.
        Portanto, as informações prestadas pelo Ministério do Esporte sobre o assunto são burocráticas, vazias e que em nada contribuem para  esclarecer o gasto federal de R$ 24 milhões de forma sigilosa...
Irregularidades
        O TCU já identificou várias irregularidades. Os auditores, inclusive, propuseram multa a quatro funcionários do Ministério.
Mas...
        O ministro-relator do TCU, Valmir Campelo, não acatou a proposta legal, alegando que a função do TCU “é pedagógica” ... Ou seja, orientar o servidor faltoso para que da próxima vez cumpra a lei na condução do bem público. Como se essa não fosse a sua obrigação permanente.
        Esquece Valmir Campelo que é o mesmo Ministério, o mesmo ministro, Orlando Silva, do PCdoB, a mesma turma que fez a festa do Pan, há quatro anos, agindo de forma irresponsável, suspeita, inclusive, pois houve pagamentos por serviços não prestados, superfaturamentos! Uma farra tão grande que até hoje 10 processos aguardam julgamento do Tribunal.
E, agora, “pedagogicamente” e em sigilo repete-se a festa. E ainda nem falamos em Olimpíada...

Fonte: Blog José Cruz

Cinco aeroportos não começaram obras para a Copa, indica balanço do governo


Um dado preocupante marcou a divulgação do primeiro balanço das ações do Brasil para a Copa do Mundo-2014: cinco dos 13 aeroportos das cidades-sedes para o Mundial ainda não iniciaram as obras. Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus, Recife e Salvador são as cidades que ainda não tiraram do papel as obras nos aeroportos.
O balanço sobre a preparação brasileira para a Copa  foi divulgado em Brasília pelos ministros do Esporte, Orlando Silva, do Planejamento, Miriam Belchior, das Cidades, Mário Negromonte, da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, e da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt.
O sistema de transporte é no momento o grande gargalo na organização da Copa. As 49 obras dentro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) selecionadas entre as que proporcionaram maior mobilidade urbana, apenas em cinco das 12 cidades-sede iniciaram suas obras. “A mobilidade será o maior legado da Copa”, destacou, no entanto, o ministro Orlando Silva durante a apresentação do evento.
Já a situação dos estádios parece ser mais tranquila. Todas as 12 arenas que serão utilizadas na Copa-2014 já tiveram suas obras iniciadas. A previsão do governo é de que nove delas sejam concluídas até o final de 2012 e as restantes, de Manaus (AM), São Paulo (SP) e Natal (RN), até o fim de 2013. O apoio financeiro para as realizações partiu principalmente do BNDES, que ofereceu uma linha de financiamento que chega a R$ 400 milhões. Os contratos assinados totalizam R$ 2,3 bilhões.
Com a indefinição do local para o jogo de abertura da Copa do Mundo, Brasília ainda faz lobby para receber o jogo, apesar de todo o favoritismo de São Paulo. O secretário executivo do Comitê Organizador Brasília 2014, Cláudio Monteiro, informou que o estádio nacional tem no momento 38% da obra concluída, com inauguração prevista 31 de dezembro de 2012.  No local, segundo ele, trabalham três mil operários e, a pedido do governador Agnelo Queiroz, foi criado um 3º turno com mais 1500 operários para atuar à noite. O total do investimento no estádio é de R$ 671,2 milhões e não haverá financiamento do BNDES.
O governo federal confirmou também a data de lançamento do portal oficial da Copa, que ocorre no próximo dia 16, pelo endereço www.copa2014.gov.br. O site terá informações e detalhes sobre o andamento das obras para a competição. Atualmente, o endereço é um hotsite dentro da página do Ministério do Esporte, mas passará a ter vida própria.
Fonte: UOL Esportes: